glorious intervention of an acquaintance.
- e aí, uma soneca?
- não.
- um sono qualquer?
- não.
- não rola nada?
- não, parece que não.
- tipo, e aquele cansaço?
- sei lá, não sei, sumiu.
- como é que pode?
- eu que vou saber.
- vc disse que não conseguia nem respirar.
- eu sei, naquela hora.
- vai dormir?
- vou, né.
- acha que consegue?
- sei lá, só tentando.
- mas, po, nenhum sono mesmo?
- eu sei lá, até parece um sono, pode ser, mas eu podia ficar acordado.
- e fazer o que?
- tambem não sei, acho que isso faz ficar mais acordado ainda, ter que pensar no que.
- ué, então era pra ser fácil, arruma qualquer coisa e faz.
- mas não dá, não sei.
- e sem sono?
- é.
- foda hein?
- aham.
- ficar acordado cansa, e na hora de dormir não dá sono?
- exacto.
- uau.
- uau digo eu, como pode?
- eu que sei?
- tentar dormir então.
- acha que dá?
- já disse, não sei, mas só tentando.
- ler uma coisa?
- acho que não, o ruim é isso, ler dá a impressão que vai ficar muito tarde, aí atrapalha o próximo dia, e tal.
- mas se não dormir também, né?
- é, mas acho que o negócio do não dormir é esse, é ficar acordado pensando em por que você não dorme, mas também não fazer nada porque se fizer, pode atrasar vc a dormir, e fora que se vc fizer alguma coisa, vai ser teoricamente com sono, e é provável que não fique bom como se você estivesse acordado.
- é, faz sentido.
- sentido my ass.

