El Camarón Pinzón y sus pomposas aventuras en Acapulco (xii)

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- Gaspár, meu amigo, há quanto tempo!
- É verdade, Pinzón! Deve fazer bem uma década que não nos vemos!
- Não seja obtuso, Gaspár! É coisa de no máximo 3 meses!
- Que seja! Já é muito tempo!
- Concordo. Me acompanha num Martini?
- Claro, com Gim, por gentileza.
- E então, caro Gaspár, o que me conta de novo?
- Bem, não sei, acho que não tenho tantas novidades assim.
- Não é possível, Gaspár! Em tanto tempo, você deve ter feito alguma coisa.
- Bom, uma coisa ali, outra aqui.
- Aham, sei.
- E você? Ah, obrigado.
- Cuidado, está cheio até mais que a taça! Bem, eu, o de sempre. Algumas entrevistas para a TV, umas participações no cinema, alguns desencontros amorosos.
- De novo, isso, Pinzón? Você não se cansa? A propósito, muito bem feito esse drink.
- Oh, obrigado, preparo-os mesmo com primazia. Pois é, meu amigo, sempre a mesma coisa, sempre, sempre, sempre. Não sei como é possível!
- Admirável, se não fosse ao mesmo tempo um tanto amargo!
- Mas a vida tem lá sua parcela de amargura, Gaspár, e isso é cada vez mais claro!
- Me refiro ao drink, Pinzón. Mas, de qualquer forma, concordo.
- O importante é não se abalar demais, caro amigo.
- Pena que esse nunca tenha sido seu forte, não é?
- Bem, é verdade.
- Sempre apreciei mais o que fez ao forno.
- Gaspár, pinche! Por favor, escolha um assunto para conversar, porque assim não é possível! Parece que você não está prestando atenção, assim!
- Minhas desculpas, Pinzón, mas é meu raciocínio rápido. Às vezes não posso deixar de comentar sobre um outro assunto paralelo. Lamento que não existam parênteses orais. Facilitariam bastante uma conversa dessas.
- Sim, mas já que não existem, concentremo-nos em apenas um!
- Certamente. Prossiga.
- Pois bem. O que me espanta, Gaspár, é ver uma situação semelhante se repetindo e temer não agir de forma diferente, já que sei qual o caminho que isso pode tomar.
- Sim, sim. Só não dou conselho melhor porque te agrada tanto a conversa abstrata que fica difícil interferir de modo objetivo.
- Gaspár, não é conversa abstrata! É simplesmente pela complexidade das idéias que o discurso é igualmente confuso!
- Claro, e por que não seria, não é mesmo? Regado a tanto Martini, até uma equação ficaria confusa em suas mãos.
- Gaspár, Gaspár. Não é a primeira vez que chamo sua atenção por fazer graça dos assuntos de maneira irônica e sarcástica!
- Se não fosse assim, eu provavelmente não seria seu amigo, Pinzón.
- Não importa. Nem me lembro mais onde eu estava.
- Provavelmente se lamentando de algo incerto que lhe causa preocupações secundárias inadministráveis a curto prazo.
- Isso! Exatamente! Veja você que começo a sentir aquela mesma apreensão, aquela mesma sensação do não-dito que fica à ponta da língua por meses.
- De ulcerar qualquer sujeito, isso, Pinzón.
- Deveras! Mais Martini-Gim?
- Prefiro chamar de Gim-Martini, assim posso uinir os dois emes e me agrada a sonoridade. Sim, mais um pouco, obrigado.
- É impressionante como demoramos a aprender com os próprios erros e acertos, não é, Gaspár? Meses atrás eu juraria que algo assim não aconteceria de novo, e no entanto, veja você!
- Impagável, de fato!
- Suspiro
- Só tenho a mesma pergunta de sempre, Pinzón: já sabe o que vai fazer a respeito?
- Ainda não ao certo, Gaspár, mas poderia supor que pelo menos algo mais rápido eu deveria fazer, e não deixar as coisas se arrastarem por tão longo tempo, mais uma vez, afinal de arrastada em arrastada passa-se o ano.
- Bem razoável, num primeiro momento.
- Acha mesmo?
- Sim, apesar de não ser exatamente a mesma mistura, essa taça está muit boa.
- Gaspár, pelo amor de Deus! Preste atenção na conversa!
- Oh, sim, sim, claro, desculpe-me, Pinzón! Não vai acontecer de novo!
- Ham.
- É, então, mas só agir mais rápido talvez não seja só o suficiente, o que acha?
- Tem razão. A grande questão, apesar de tudo, é que sempre pode ser uma má interpretação, não é? E o sofrimento por falsa expectativa ali esperando na virada pra te acertar com tudo!
- Ah, mas daí não há como escapar. Nem que seja para verificar se realmente é o que você pensa, fazer alguma coisa é necessário.
- Verdade.
- E, além do mais, como você bem disse, pra quê perder mais tempo, não é?
- Sim. Pra quê?
- Então!
- Quer mais Marti… desculpe-me, Gim-Martini?
- Não, obrigado, estou satisfeito.
- Sabe o que é fascinante? É, apesar da apreensão, essa constante impressão da iminência de um momento em que as duas pessoas falarão a mesma coisa.
- Sim, é mesmo. Já me causou muitas diarréias isso, com o perdão da palavra.
- Nem me diga. Mas é o que move a vida, não é? É quando o peito fica assim esmagado que prestamos mais atenção que estamos vivos.
- Que viagem, hein Pinzón? Que emo, eu diria.
- Gaspár, você é um maldito, às vezes! Hahahahaha!
- Até você riu dessa, Pinzón, não há como.
- Ah, amigo Gaspár, como é possível isso? Como não para de acontecer?
- Vai ver é você, Pinzón. É parte de você, e é assim que vai ser com você.
- Suspiro. O negócio é aprender a mastigar a vida, não é?
- Tsc, isso aí!
- Quando é o próximo feriado?
- Não sei.

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