El Camarón Pinzón y sus pomposas aventuras en Acapulco (x)

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- Pinzón, meu distinto amigo, que cara é essa?
- Affe, caro Gaspár! Cara de quem acordou às duas e dezanove da tarde!
- Que disparate, Pinzón! Duas e dezanove?!
- Sim, por mais ultrajante que seja, é verdade.
- E posso saber o que causou tamanho descompasso em seu relógio biológico?
- Uma seqüência de eventos, meu amigo. Primeiro, o simples fato de ter ido dormir às quatro e meia da manhã, no dia anterior. Segundo, a desregularrem decorrente da recorrência de tais atrasos ao longo da semana, e, terceiro, a ansiedade, como não poderia deixar de ser!
- Estou impressionado! Eu mesmo considero improvável que consiga ficar acordado até tão tarde da noite, ou madrugada, melhor dizendo. E mais: não concebo perder o desayuno!
- Deveras, meu amigo! Nem eu, mas, fazer-se o quê, dada a circunstância?
- Concordo que seja penoso colocar o sono nos trilhos novamente, já que, tendo acordado às duas e dezanove, torna-se difícil ter sono às dez horas, digamos. Mas e a ansiedade? Em relação a quê?
- Pequenezas, meu caro. Talvez não me creia, mas encomendei há algum tempo um jogo de penas, e não me agüento em tanto esperar!
- Penas, Pinzón? O que aconteceu, furou-se seu travesseiro?
- Não diga sandices, Gaspár! Penas de escrita, não de estofagem!
- Ah, sim! Mais cabível, realmente. Mas não é um item um tanto quanto obsoleto, a pena?
- Não diga isso, Gaspár! Esta minha encomenda, por exemplo, é um jogo clássico da Heintze & Blanckertz, uma coleção admirável, dificilmente encontradiça hoje em dia! E são muito úteis para caligrafia e ilustrações!
- Veja só! Não sabia, meu amigo!
- Você ainda tem muito angu para comer, ilustre Gaspár. Não me leve a mal, sim?
- De maneira alguma, Pinzón.

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