El Camarón Pinzón y sus pomposas aventuras en Acapulco (vii)

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- Gaspár, sinto algo estranho no meu peito. Uma angústia, uma falta de ar, uma taquicardia e arritmia, às vezes. O que poderá ser?
- Pinzón, desculpe-me mudar de assunto tão bruscamente, mas já pensou em quantas consciências simultâneas nós, humanos, podemos ter? Já pensou que posso ser apenas uma de suas consciências, e que, se eu responder a sua pergunta, essa resposta virá de você mesmo e, logo, pode não ser de ajuda alguma?
- Gaspár, que ultraje! Primeiro que você não é fruto da minha imaginação, você é real, eu posso vê-lo! E segundo que não somos humanos: eu sou um camarão e você… bem, você definitivamente não é um camarão!
- Isso é o que você pensa, caro amigo Pinzón. Lamento não dispor de meios para provar o contrário, mas se pudesse, certamente você ficaria embasbacado.
- Gaspár, isso não está sendo de ajuda nenhuma! Comecei falando de algo sério que me incomoda, e você vem com essas elucubrações sem pé nem cabeça!
- Pinzón, não sei com que freqüência você costuma consultar o dicionário, mas elucubrações são assim mesmo, por definição.
- Isso parece estar saindo do controle, Gaspár! Desde quando você me contradiz em alguma coisa, e o pior, finge explicar-me o que supostamente não sei, de maneira duvidosa?
- Fique calmo, Pinzón. Esta é só mais uma evidência de que o que digo tem tudo para ser verdade.
- Gaspár, estou entendendo cada vez menos. Com essa conversa só fico mais ansioso e nervoso. Sugiro que mudemos de assunto.
- Sobre o que gostaria de conversar?
- Eu não sei, Gaspár, só não quero continuar com essa discussão sem propósito!
- Devo dizer que nunca vi um camarão tão alterado.
- Gaspár, não se refira a mim como se eu não estivesse presente!
- Desculpe-me, Pinzón.
- Além disso minha visão parece não conseguir focalizar por muito tempo, o que me deixa tonto, com freqüência.
- Pinzón, se você fosse escrever essa última palavra que disse, usaria o trema?
- Sim.
- Então receio que não esteja a par das mudanças na escrita da língua Portuguesa.
- Realmente não estou e, mesmo que estivese, provavelmente continuaria usando trema.
- Esse barulho é a chuva?
- Deve ser, Gaspár, por quê?
- Nada, só não contava com chuva, hoje.
- Tinha algum plano?
- Nada certo.
- Onde está Maricruz?
- Não sei, há dias que não a vejo.
- Eu também. Muito estranho.
- Muito.

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