El Camarón Pinzón y sus pomposas aventuras en Acapulco (v)
- Pinzón, você costuma ter sono depois do almoço?
- Normalmente não, Gaspár. Por quê? Isso é recorrente com você?
- Demais. Mal acabo as últimas mastigadelas da refeição, já começam a pesar-me as pálpebras.
- Oh, entendo. Então presumo que você cultive o hábito da sesta, sim?
- Deveras.
- Então o que o preocupa?
- Às vezes é tão pouco conveniente ter todo esse sono de tarde.
- Sim, imagino que sim. Mas não é coisa rápida?
- Gostaria que fosse. Mas o corriqueiro é pensar que acordarei em meia hora, e quando abro os olhos, já são cinco e meia da tarde!
- Bem, repetidas vezes, sim, isso pode ser desagradável.
- É o que quero dizer.
- E já tentou mudar algum hábito, fazer algo a respeito?
- Cortei a feijoada que comia diariamente.
- Imagino que tenha feito grande diferença.
- Para o dono da Mercearia Coral, só se for. O sono continuou.
- Será que não é falta de sono à noite? Quantas horas você normalmente dorme?
- Em dias de semana?
- Sim, por exemplo.
- Em média, nove horas.
- Corridas?
- Não, de manhã prefiro começar o dia devagar.
- Não, amigo Gaspár, quero dizer se você dorme as nove horas direto ou se acorda na madrugada!
- Ah, sim! Bem, as horas, durmo-as como uma pedra.
- Hum… Então aí não está o problema.
- Aham.
- Não poderia ser excesso de trabalho?
- Acredito que não, Pinzón, ontem mesmo precisei despedir um funcionário, tão pouco havia para ele fazer. O serviço está leve.
- Gaspár, creio que encontra-se no que chamam de Sinuca-de-bico.
- Eu que o diga.

