December 31, 2008

El Camarón Pinzón y sus pomposas aventuras en Acapulco (xi)

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- É, Gaspár, último dia do ano!
- Que emoção, meu mui estimado amigo Pinzón!
- O que você aprendeu de mais importante este ano, meu caro?
- Que o mirtilo, ao contrário do que eu imaginava, tem várias e diminutas sementes, é macio, e tem sabor ameno!
- Eu, por minha vez, aprendi que devo viver mais!
- Desculpe-me, Pinzón, mas como é possível viver-se mais do que já se vive?
- Não é no sentido fisiológico, Gaspár, é que este ano passou-me deveras depressa.
- Sim, também tive a impressão de ter-se transcorrido rápido.
- Os últimos meses, então, mal os percebi!
- E o que pretende fazer a respeito?
- Ainda não sei. Acho que, logo mais, depois do quarto ou quinto Martini, certamente há de me ocorrer algo!
- A propósito, foi uma ótima idéia termos vindo para Trobriand! Que belos arrabaldes!
- Também estou muito satisfeito! Penso em ainda hoje dar uma volta de catamarã ali por perto daquela pedra.
- Bom, Pinzón, vamos aproveitar que ainda há luz natural e ficar ali à beira da água?
- Certamente, nossos amigos nos aguardam!
§
- Pinzón…
- Sim?
- Onde estará Maricruz?
- Não sei, mas espero que esteja feliz.

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December 29, 2008

Funiculi, Funiculà!

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SITUAÇÃO: som tocando Belle and Sebastian.

Alexander Vaudevillian:
- Maior voz de Simon and Garfunkel.

The Boy with no Name:
- Nada, parece aquela banda do Andy Warhol, sabe?

Alexander Vaudevillian:
- Não. Qual?

The Boy with no Name:
- Velvet Underground.

Alexander Vaudevillian:
- Ele tocava o quê?

The Boy with no Name:
- Nada, ele era o produtor. Ele fez a banda só pra mostrar que qualquer coisa que ele fizesse ia dar certo.

PAUSA DRAMÁTICA

Alexander Vaudevillian:
- Igual eu, quando fiz Raimundos.

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You think she’s an open book

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Castelnuovo:
- Rapaz, você tá esperto mesmo, às vezes eu até acho que você pode ser um gênio, mas aí eu me lembro que você é meu irmão e, pffff, todo mundo sabe que não podem existir dois gênios na mesma família.

§

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December 28, 2008

Porto de Benevente, 127 anos depois

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Domenico: Cadê seu bisavô, que não tá aqui na foto?

Angelo: Ah, sei lá, devia estar no msn.

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A Couve Romanesca é a Matemática comestível

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Artistas impressionistas tomam café expresso?

Pessoas desnaturadas bebem leite integral?

Se você não pode vencê-los, peça arrego.

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December 17, 2008

El Camarón Pinzón y sus pomposas aventuras en Acapulco (x)

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- Pinzón, meu distinto amigo, que cara é essa?
- Affe, caro Gaspár! Cara de quem acordou às duas e dezanove da tarde!
- Que disparate, Pinzón! Duas e dezanove?!
- Sim, por mais ultrajante que seja, é verdade.
- E posso saber o que causou tamanho descompasso em seu relógio biológico?
- Uma seqüência de eventos, meu amigo. Primeiro, o simples fato de ter ido dormir às quatro e meia da manhã, no dia anterior. Segundo, a desregularrem decorrente da recorrência de tais atrasos ao longo da semana, e, terceiro, a ansiedade, como não poderia deixar de ser!
- Estou impressionado! Eu mesmo considero improvável que consiga ficar acordado até tão tarde da noite, ou madrugada, melhor dizendo. E mais: não concebo perder o desayuno!
- Deveras, meu amigo! Nem eu, mas, fazer-se o quê, dada a circunstância?
- Concordo que seja penoso colocar o sono nos trilhos novamente, já que, tendo acordado às duas e dezanove, torna-se difícil ter sono às dez horas, digamos. Mas e a ansiedade? Em relação a quê?
- Pequenezas, meu caro. Talvez não me creia, mas encomendei há algum tempo um jogo de penas, e não me agüento em tanto esperar!
- Penas, Pinzón? O que aconteceu, furou-se seu travesseiro?
- Não diga sandices, Gaspár! Penas de escrita, não de estofagem!
- Ah, sim! Mais cabível, realmente. Mas não é um item um tanto quanto obsoleto, a pena?
- Não diga isso, Gaspár! Esta minha encomenda, por exemplo, é um jogo clássico da Heintze & Blanckertz, uma coleção admirável, dificilmente encontradiça hoje em dia! E são muito úteis para caligrafia e ilustrações!
- Veja só! Não sabia, meu amigo!
- Você ainda tem muito angu para comer, ilustre Gaspár. Não me leve a mal, sim?
- De maneira alguma, Pinzón.

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December 10, 2008

Burragem, isso é crendice!

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SITUAÇÃO: Moritz à beira da pia; pega a escova de dente, passa a pasta e começa a escovar os dentes.

Marzell: Você não molha a escova?
Moritz: Ahn?
Marzell: Você não molha a escova, antes de escovar? Eu molho.
Moritz: Pra quê? É algum tipo de superstição, isso?

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December 9, 2008

El Camarón Pinzón y sus pomposas aventuras en Acapulco (ix)

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- E então, caro amigo Gaspár, já se resolveu?
- Hmm… ainda não, Pinzón.
- Sim, mas, é pra hoje?
- Calma, ainda é cedo!
- Agora ainda é cedo, mas se você continuar aí, já já não mais será!
- Eu sei, ó Pinzón, mas também quanto mais você me apressa, mais me desconcentra!
- Tudo bem…
- Hum…
- Desculpe, Gaspár, mas não vejo como é possível demorar-se tanto na escolha de um chuchu!
- Como assim, meu amigo? Chuchus são iguarias como tantas outras, de delicadeza considerável, com peculiaridades que não se podem ignorar!
- Hum… sim, estou ouvindo.
- Veja este, por exemplo, que terrível. Tem a caspa áspera, e aqui há um grande talho, veja!
- Nada que não se possa cortar fora!
- Este outro cá: amarelado, e com esta parte aqui lustrosa… não!
- Sei. E este aqui, o que me diz?
- Aham. Sim, este aqui é quase bom. Mas observe atentamente e verá essas pequenas pintas esbranquiçadas, o que não é bom sinal.
- Pintas brancas, Gaspár? Onde?! Você já está exagerando!
- Diga-me cá uma coisa, então: seria exagero, também, olhar as cerejas em calda à contra-luz, antes de colocá-las num bolo, como faz você?
- …Bem, não vejo nada de errado nisso, uma vez que as cere
- Então! Então, caríssimo Pinzón! É como eu disse: cada entendedor com o seu entendimento! Não me admoeste aqui por ser caprichado com os chuchus!
- Hum, está certo. Afinal, que mal pode haver em ter os mais bem escolhidos chuchus?
- Sim, que mal pode haver?

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December 5, 2008

Quando a nuvem não passa, uva (i)

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De vez em quando aparece uma capivara no jardim, e ela diz que precisa de 3 reais pra pegar o trem de volta pra casa dela, que fica do outro lado da parede de pinheiros de alcatrão no final da Rua Almirante Cerqueira Furtado, em Altamira, mas eu nunca dou conversa mesmo. O estranho foi anteontem ela ter vindo com uma lagartixa azul no ombro, e disse que ela era a encarnação réptil do demônio Quar-pa-Taruil, do Império da Raspa. Eu fingi que não ouvi, e ofereci um chocolate quente. Depois disso elas nunca mais voltaram.

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November 9, 2008

El Camarón Pinzón y sus pomposas aventuras en Acapulco (viii)

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- Amigo Gaspár, que cara é essa?
- Ai, caramba…
- Diga-me, Gaspár, nada tema.
- Não é nada de mais, caro Pinzón, é apenas apreensão.
- Em relação a quê?
- Aos altos e baixos da vida, Pinzón.
- Eu sou definitivamente mais alto que você, Gaspár, e quanto a mim, não há nada com o que se preocupar!
- Pinzón, sua capacidade de fazer piadas em momentos inadequados me assombra.
- Desculpe-me, sim? Aceita um Martini?
- Não, obrigado, chega de álcool por hoje.
- Tudo bem, eu entendo. E tudo bem se não quiser me contar sobre o que te aflige.
- Obrigado.
- Gaspár, confesso que também estou um pouco macambúzio por dentro.
- E por que isso, Pinzón?
- Conheci uma camaroa, amigo. Uma camaroa formidável!
- Sorte a sua, Pinzón, camarões devem conhecer camaroas, mesmo. Pior eu, que ainda não recebi denominação alguma, e fico aqui, à mercê da boa vontade do espírito de Lineu resolver baixar no caranguejo mais próximo para me classificar. Que momento único seria esse.
- Não se alongue em seus comentários pessoais, Gaspár, isso faz com que eu perca a linha de pensamento. Estava contando sobre a ímpar senhorita que conheci.
- Claro, prossiga como planejado.
- Ela é maravilhosa, Gaspár. Minhas barbatanas se arrepiam. Volto para casa todo dia repassando o que aconteceu de engraçado ou mesmo coisas sem importância para contar a ela.
- Ela está na sua casa?
- Não, Gaspár, aí é que está. Volto pra casa pensando nisso exatamente porque não posso contar a ela pessoalmente. Tenho que chegar, escrever tudo e colocar numa garrafa.
- Que pena, Pinzón.
- Deveras, amigo Gaspár. E a ansiedade é que está me deixando sorumbático.
- Não se deixe abater, caro Pinzón, continue animado, senão, qual será a graça?
- Nenhuma, presumo eu.
- Pois então! Suas mensagens da garrafa têm que continuar gentis, calorosas e simpáticas! Salpicadas de amor, compreensão e benevolência!
- Como você consegue ser tão inspirado, Gaspár? Você nem me acompanhou no Martini!
- Caro Pinzón, nem parece você, falando! Quando acabar a inspiração, só vai sobrar o sabugo, meu amigo, e isso não pode em hipótese alguma acontecer!
- Gaspár, espero que você se lembre que as melhores frases deveriam continuar sendo minhas, em nossas conversas, afinal, eu sou o personagem principal.
- Claro, não se preocupe, meus lampejos de poesia são fugazes e raros. Não seria capaz de competir com você!
- Melhor assim. De qualquer forma, obrigado pelos conselhos.
- Mas você não planeja conhecê-la de facto?
- É o que mais quero, Gaspár, sem pensar duas vezes!
- Posso dar outra sugestão?
- À vontade.
- Leve uma acelga. Uma vez um ancião amigo do meu padrinho disse que numa de suas viagens pelo Atol de Parthenopea um velho pescador lhe disse que as acelgas encantam de uma maneira singular.
- Uma acelga? Que improvável. Obrigado, Gaspár!
- De nada.

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