an enlightening tale: tomatoes

tomates marcelo perin zumbi canibal menino

Bom dia, fabricantes de pasta de dente!

Outro dia, passando por uma pasta dentro de uma pasta esquecida num hd corrompido que eu tiha deixado como calço de uma estante (sim, é um perigo correr o risco de deixar seus livros à mercê de um abalo sísmico repentino) encontrei a sinopse desse conto belíssimo do qual já quase não me recordava, não fossem pelos molhos de tomate que acompanham minha vida como rêmoras vítimas da especulação agrária do CEASA:

Numa gélida, nebulosa e doce manhã em um vale verdejante de Caxixe Morno, um recôndito agrícola no interior do Espírito Santo, este jovem menino batia agrotóxico (como é costume local chamar a aspersão de defensivos agrícolas) na plantação de tomates da sua família, vestindo apenas seu shortinho estilo seleção de 70 e sua camisa brinde de um candidato a deputado de 14 anos atrás, como manda o costume local. O que ele não sabia, Oh! pobre criança, é que anos seguidos de exposição a toda aquela sorte de produtos químicos tinham afetado, modificado e danificado seu organismo silenciosamente, como um martin-pescador espreita do alto da árvore sua tilápia distraída (como a alegoria local para ‘tocaia’).
Quando a gotícula derradeira é aspirada pelo mancebo, uma transformação hedionda se inicia e, na confusão da neblina matinal que se dissipa, ele é acometido por voraz instinto canibalesco, olheiras roxas como jabuticabas, e palidez amarelada como a polpa do araçá! É tarde demais, criança! Sua vida pacata de observar formigas acabou! Sem mais um lampejo de consciência, ele invade a própria casa e chacina a própria família, destrói tudo (inclusive o fogão a lenha de alvenaria) e devora todos (inclusive o trinca ferro na gaiola – com a gaiola). Tétrica cena para os olhos de um cristão! O menino sai de casa e pisoteia toda a horta, todos os tomates, todas as galinhas, tudo! Até a última cochonilha! A raiva, a fome e a eleição de 1998 – isso é tudo o que ele conhece! Desembestado como um porco fugindo da colher afiada, o menino corre pela mata tropical de altitude e chega até a cidade, um lugar que nunca viu tal monstro sem dó e tampouco um grupião.

Olhando para o desenho agora, o que você deve estar se perguntando, provavelmente, é se realmente faz alguma diferença devorar um trinca-ferro com ou sem a gaiola.
Um beijo, suas linda!11

Palavras chave: agronegócio, assassinato, canibalismo, infância e adolescência, relações familiares, cultura local, meio ambiente, psicologia, êxodo rural.

Good day, toothpaste makers!

The other day I was going through a folder inside a forgotten folder in this one corrupted hard disk I was using as a chock for a shelf (oh yes, it is most dangerous to let your books at the mercy of a sudden seismic disturbance); so in this folder I found the synopsis of this beautiful tale I almost did not recall of, it wasn’t for the tomato sauces which follow my life like remoras victim of agrarian speculation:

In a cold, foggy, sweet morning down amidst a verdant valley in Mild Casheesh, a farming refuge in Espírito Santo, this young cub was pumping pesticides (as the local slang for ‘the administration of disease management solutions for crops’) on his family’s tomato grove wearing nothing but his shorts and a 14-year-old promotional t-shirt from a candidate for deputy, following local usage. What he didn’t know, Oh! poor child, was that several years of repeated exposure to all sorts of chemical agents had silently affected, modified and damaged his organism, like a Kingfisher lurkingly perches atop his tree (as the local allegory for ‘ambush’). Finally, when the terminal droplet was inhaled by the kid, a hideous transformation took place, and among confusion in the dissipating mist, he was struck by utter cannibalistic instinct, jabuticaba-purple dark circles under his eyes and a lemon guava-yellow pallor! It is too late, sprog! Thy placid childhood of ant observing is through! Without the least spark of consciousness he went and attacked his own house, slaughtered his own family, destroyed everything (including the masoned wood oven) and devoured everyone (including the caged Buff-throated Saltator – with the cage). Tetric scene for the eyes of a Christian! The boy stepped out and trampled the orchard, every tomato, every fowl, eveything! To the last cochineal! Rage, hunger and the 1998 elections – this is all he knew! Discombobulated like a pig dodging the sharp spoon, the kid ran through the Atlantic Forest and reached the city, a place that never saw such a merciless monster nor a whipsaw.

Looking at the drawing now, what you might be asking yourself is, most probably, if there is really any difference in devouring a Buff-throated Saltator with or without the cage. Farewell, me hearties!11

Keywords: agrobusiness, murder, cannibalism, childhood, family relations, local culture, environment, psychology, rural exodus.

Posted: March 1st, 2012 | Author: | Filed under: Character Design, Mood scene, Sketches | No Comments »

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