4 penas: tempo, caligrafia fundametal.

Bom dia, engenheiras de tráfego!
Eu tinha esse personagem crustáceo, o Camarón Pinzón, que por sua vez tinha muitos diálogos filosóficos com um amigo dele, que podia muito bem ser um amigo imaginário, que chamava Gaspár, que, ao que tudo indica, devia ser um Tatuí, ou algum outro crustáceo parecido com isso, já que um camarão deveria conseguir conversar, pelo menos a princípio, somente com outros crustáceos, e, com certeza, o Gaspár não era um camarão. Não que isso impedisse que ele fosse outro bicho, tipo um pepino do mar, uma estrela do mar, um cavalo marinho ou outra vítima do mar qualquer, mas pela personalidade dele, não acredito que fosse algum animal de corpo mole ou de simetria radial. Poucas coisas com simetria radial são confiáveis nessa vida, e acho que menos ainda na vida marinha, e ainda menos pra se conversar. E como o Pinzón era em essência um cara muito desconfiado e na dele, acho menos provável ainda que fosse filosofar sobre os problemas da vida e as dificuldades de relacionamento com qualquer criatura de simetria radial que aparecesse na frente dele. Primeiro que fica bem difícil saber pra onde olhar, principalmente se os olhos da coisa não forem bem óbvios, e depois que se você precisar de uma ajuda prática mesmo, mudar um sofá de lugar, por exemplo, um bicho desses vai mais atrapalhar do que te ajudar. Além de que o Gaspár não era um cara qualquer, não tinha aparecido do nada. Ou eles eram amigos há muito tempo, ou então ele era imaginado pelo Pinzón há muito tempo. Ou então, apesar de se conhecerem há pouco tempo, eles tinham aquela impressão de se conhecer desde longa data, o que permite conversas daquele calibre. De qualquer maneira, pouco importa se ele era um peixe palhaço ou uma craca, eles devem ter voltado pra acapulco, se esvaído em Martini seco, que eu não sei como alguém pode gostar de beber, ou sido comidos por qualquer bicho maior, e bichos maiores, na amplitude de um isqueiro até um quarteirão, têm vários, não seria esse o problema.
Esse desenho de letras aí eu fiz na oficina de caligrafia do Cláudio Gil, ontem. Gostei à pampa.
Good day, traffic engineers!
I hereby introduce you to a character I once had, mr. Pinzón the shrimp: he lived near Acapulco and used to converse with his friend, Gaspár (maybe an imaginary friend, I never quite knew for sure), about life and love and the universe and everything else that disturbs human and animal soul in any manner. Well, I could go on and describe him and even try to describe his friend, although there is no living creature on earth who could do it with the due precision so estimate a critter really deserves, but sad thing is, I have long heard nothing from them, meaning there would be no use for such a description. You should only know that both of them liked Dry Martini very very much, and that the chance of some gigantic sea predator having eated them is enormously big, what is already a sad thing.
I drew this letter composition during a calligraphy workshop held by Cláudio Gil I took part yesterday.









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